Energia Hidrelétrica (Hidráulica) – Vantagens e Desvantagens – Resumo

A energia hidrelétrica (energia hidráulica) é o resultado do uso da força das águas que correm em nosso solo, que movimentam as turbinas que geram a energia propriamente dita. A água possui imensa energia. Assim, a energia hidráulica é produzida através das águas que correm por nosso solo. Quando cai no solo e corre para o mar, essa energia pode ser aproveitada de várias maneiras, como veremos a seguir.

Barragens e a Energia Hidrelétrica

A forma mais usual de armazenamento de energia é interromper o curso de um rio, no seu caminho para o mar.
Nas barragens cria-se uma pressão de água que representa a medida da energia potencial da água armazenada.

Com o deslocamento da água do alto da barragem para baixo, são movimentadas turbinas, que por sua vez operam geradores de corrente elétrica por indução magnética.

A eficiência energética desse sistema é muito alta, ao redor de 95%. O investimento inicial e os custos de manutenção são elevados, e o custo do combustível (a água) é nulo. E uma fonte renovável de energia, além de apresentar a possibilidade de outros usos importantes – controle de enchentes, suprimento de água potável, irrigação, piscicultura, turismo, recreação, entre outros.

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A Usina Hidrelétrica de Itaipu completou 30 anos em 2014. Nesse período, gerou um total de energia suficiente para suprir o consumo de todo o planeta por mais de um mês (fonte).

Os aspectos negativos a serem considerados, sob o ponto de vista de saúde ocupacional, são os riscos inerentes a construções de grande porte: possibilidades de injúrias físicas na mão-de-obra por quedas, ferimentos com instrumentos cortantes, queimaduras, etc.

No entanto, os impactos ambientais com reflexos sociais, econômicos e culturais devem ser bastante estudados na implantação de projetos de hidroelétricas. A inundação de áreas, pela construção de barragens, traz problemas de realocação das populações existentes, prejuízos à flora e à fauna locais, alterações no regime hidráulico dos rios, incremento das possibilidades da transmissão de “doenças aquáticas”, como a esquistossomose e a malária (devido à poluição dos reservatórios), a extinção dos peixes migratórios cujo processo de reprodução é dependente das correntes dos rios, etc.

Um controle sistemático da erosão e da qualidade da água, um reassentamento das populações deslocadas, escadas para peixes, aeração das águas profundas, evitando o crescimento de microorganismos anaeróbicos, e otimização do transporte de energia a grandes distâncias (ainda um grande problema nesse sistema) minimizariam os impactos mencionados e melhorariam as condições de fornecimento de energia elétrica aos grandes centros consumidores.

Esse controle é fundamental para que a produção de energia hidrelétrica não cause dados ambientais e sociais às populações ribeirinhas.

No Brasil, o órgão responsável pela execução da política nacional de energia elétrica é a Eletrobrás, que começou a funcionar em junho de 1962. Sabe-se que, hoje, a energia elétrica é responsável por pelo menos 30% da totalidade da energia consumida no país e que 90% dessa energia é de origem hidráulica.

Entretanto, o racionamento que afeta a região Norte/Nordeste; a ameaça de déficit de energia elétrica que ronda a região Sudeste até o ano 2000, os “cortes” ocorridos na região Sul e os blackouts verificados, recentemente, em algumas localidades do país, atestam as deficiências e o precário equilíbrio operativo do setor.

A potência brasileira instalada no final de 1986 atingia 42 860 MW, os reservatórios tinham capacidade de armazenar 324 790 milhões de m3, com a inundação de 20 107 km2 (o que corresponde a 0,23% da base territorial do país). O potencial hidroelétrico de certos rios da Amazônia é muito grande e está quase todo inventariado. A usina de Tucuruí, por exemplo, apresenta um potencial de 7 260 MW.

Como já foi mencionado, as usinas hidroelétricas respondem por 9007o da geração de energia elétrica e encontram-se localizadas em bacias próximas aos centros de carga. As usinas termoelétricas atendem a sistemas isolados e completam as cargas nos períodos de seca e nas horas de pico.

O sistema elétrico brasileiro é constituído por dois sistemas interligados, Sudeste-Sul e Nordeste-Norte, associados a suprimentos isolados de menor porte, tais como Manaus, Rondônia e Acre.

Cata-água

Os cata-águas são turbinas desenvolvidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a partir da década de 80, para explorar a correnteza natural dos rios sem a construção de barragens, utilizando-se de mecanismos rotatórios, os rotores, que giram na correnteza da mesma forma que um cata-vento gira no ar.
Normalmente, a correnteza tem dez vezes mais energia que um vento da mesma velocidade, portanto uma correnteza de 2 km/h equivale a um vento de 20 km/h.

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O rio Solimões, próximo a Manaus, corre com uma velocidade de 8 km/h, o que corresponde a um vento de 80 krn/h, com direção constante e ininterrupta. Ótimo para gerar energia hidrelétrica.

O cata-água apresenta a possibilidade de aproveitamento da energia da água nos rios que, por serem muito largos, com fraco desnível, não apresentam condições favoráveis à instalação de usinas hidroelétricas. Além disso, as usinas hidroelétricas de grande porte atendem aos núcleos urbanos e industriais e as pequenas comunidades do interior permanecem desassistidas.

O cata-água do INPA, numa correnteza de 4 km/h (facilmente atingível no rio Solimões, Madeira, Purus, Japurá e outros), desenvolve 1 kW de eletricidade, quantidade suficiente para alimentar uma casa com luz, geladeira e televisão. A qualidade da eletricidade produzida pelo cata-água é adequada para a maioria dos eletrodomésticos.

Os estudos do INFA buscam atualmente desenvolver equipamentos mais resistentes e construir unidades maiores para abastecer pequenas indústrias e suprir comunidades pequenas com energia elétrica.

O cata-água causa um impacto ambiental mínimo – a desaceleração da água no local da unidade. Porém, ao seu redor, o rio corre normalmente, permitindo a migração de peixes e a navegação fluvial.

Dessa forma, o Brasil, que possui o maior volume de águas fluviais do mundo, tem no cata-água uma oportunidade para desenvolver tecnologia que não só é adequada às necessidades da região Norte como também é genuinamente nacional. O Brasil, rico em rios e abundante em litros de água, poderia gerar muito mais energia hidroelétrica, mas os impactos ambientais poderiam ser maiores, se não bem planejado.